Leituras (1)

Pedra-de-paciência
Atiq Rahimi
Teorema
114 páginas
*****
Pode um desconhecido ganhar um grande prémio literário com um romance de 100 páginas? Em Portugal não, mas num outro país mais civilizado é possível. Aconteceu isso em França. O muito ilustre Goncourt foi atribuído a Atiq Rahimi, um afegão há muito radicado em França, pelo seu “Pedra-de-Paciência”.
Este quarto romance, na carreira do escritor, fotógrafo e cineasta, é o primeiro escrito directamente em francês.
Um combatente afegão está deitado no chão, em estado comatoso. O resto é o desespero da mulher que o tenta manter vivo, ao mesmo tempo que ele acorde.
Num país dividido por um guerra fratricida, cuidar de um homem em coma é uma tarefa quase impossível.
Tal como as tragédias gregas, neste romance partimos de um acontecimento particular para pensar toda uma cultura e civilização.
As angústias, sonhos desfeitos e pecados confessados servem para uma reflexão profunda sobre um universo que nos habituamos a censurar e sobre o qual tão pouco sabemos.
O homem, a pouco e pouco, transforma-se numa pedra-de-paciência. Uma pedra a que, de acordo com o mundo muçulmano, se vão confessando segredos e desejos. A pedra vai absorvendo as confissões até ao dia em que, de tão cheia, se parte. Nesse momento os pecados, angústias e medos desaparecem.
Navegando num terreno marcado pelas tragédias clássicas ou pela “Voz Humana” de Jean Cocteau, Atiq Rahimi constrói um romance poderoso e de uma violência desmedida. Tudo isto no curto espaço de 100 páginas.
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